domingo, 31 de outubro de 2010

Os outros

Numa espiral de corpos

Nervosos, suados tremem

Colidem enraivecidos

Rodam para o negro

Com medo

De um escuro infinito

Nem um grito

Os faz parar

Já é tarde para os separar

Respiram o pó

Cegam com as palavras

Negam os sons desconhecidos

Inventam medos e caminhos

Negam passados escritos

Só para serem conhecidos

Não abrem os olhos

Nunca ouvem

Pouco dizem…

N

Quando a noite cai,

nós vagueamos pelas ruas

e olhamos os cadáveres

bêbados e drogados

criminosos e alienados

com as entranhas de fora

riem e choram

gritam e susurram

os cadáveres…

E nós vagueamos, vagueamos uns atrás dos outros

Meio mortos, semi-vivos…vagueamos…

é quando o sol sobe e tapa a lua

e chega mais um dia, novo dia

igual ao ultimo, ao outro e ao outro

mas a luta continua…

Despedida

Quando me olhares as costas

Cerrares os olhos contra o sol

Não chores, não deixes cair uma lágrima

Que eu vou a sorrir

Com o peito cheio

De memórias infindáveis…

E quando o sol bater no chão

Eu do tamanho de uma formiga

Não digas adeus,

Nem grites para que me vire…

Que eu não vou a olhar o chão que piso

Olho de frente a lua que no alto está

Vou encher o corpo da cabeça aos pés

De histórias memoráveis…

Quando já não me avistares

E a noite escura cair

Dorme, descansa meu bem…

Vais sentir que o nosso amor vai ficar no mesmo piso

O nosso canto vai ficar mais bonito

No dia que nos encontrar-mos

Numa qualquer praça, esquina ou travessa

Rua, avenida ou viela…

Olha-me bem nos olhos que viste partir

Porque sou eu…

Mais triste por aquilo que vi

Um mundo abatido sem força para se erguer

Mas vim-te buscar

E trazer a felicidade de um encontro

De duas pessoas

Com memórias memoráveis…

sábado, 6 de março de 2010

"sós"

...quero mais um dia
se for essa a decisão,
um beijo de despedida
que dure uma imensidão.

quero só mais um trago
dessa saliva envenenada,
desse amor que vem com ela
só não quero sabor a nada.

quero só mais um abraço
que me deixe sem respirar,
um encosto, um aconchego,
um aperto, um entrelaçar...

estes "sós" não vão chegar,
tenho sede desta paixão,
tenho medo de não parar,
absorver-te, engolir-te,
desejar-te, sentir-te...
e amar-te sem razão.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

solidão...

... abandona-me,
a tua companhia põe-me só.
deixa-me, que não fazes falta
à minha alma.
eleva-te, vai-te
que não te quero
já não sou um solitário
foge, foge seu monstro de armário!

solidão deixaste-me
tenho saudades do teu silêncio,
do ranger da porta,
do frio que não vem de lado algum.
volta, abraça-me
quero-te perto
tão perto que te sinto o ventre
chega-te, chega-te amor de sempre...

sexta-feira, 13 de março de 2009

...

Abro-me num rasgo,
dispo-me da carne,
vejo as tuas lágrimas
e bebo-as de um só trago.

Neste círculo do Amor,
a volta do compasso,
uma linha que não tem fim
um tremor que sinto em mim,
nem mais um traço.

E ao fechar-me neste buraco,
feito pelo meu compasso,
quem não faz sentido sou eu
daqui só levas o que é teu.

Na roda do meu compasso
no centro deitada, despida,
tu és todo o sentido
da minha vida...

"Coiso-te"

quinta-feira, 5 de março de 2009

Aconteça o que aconteça...

O Amor parece querer partir
no desespero de sentir
emoções, desejos, alucinações...

A Saudade aperta
mas o coração desperta
chora, ri, adora...

A Memória não me deixa
lembro-me da minha gueixa
distraída, doce, linda...

O Cheiro está presente
a pele ainda quente
sonho, sinto, tenho...

O Medo ainda não chegou
e o esquecimento ainda não te levou
sempre, nunca, para sempre...

"Coiso-te"

http://www.youtube.com/watch?v=rqyGDHmo1ok

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Que me...

...rasguem já o peito
para desaparecer esta pressão.
peso que trava o respirar,
nem tão pouco consigo pensar
com o peso da paixão.

que me puxem para fora o coração,
que ele para de bombear.
sinto-o nervoso, incapaz
com fome de paixão, voraz,
não o consigo aliviar...

que me tirem já este invólucro
ou me deixem vazio.
já não posso sentir,
prefiro deixar de existir.
estou por um fio...

que me deixem só cabeça
para pensar o amor.
já não preciso dos restos
destes sentimentos irrequietos,
deste ardor que é dor.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Na hora das gaivotas

Na hora das gaivotas
arrepia-te a pele
com a brisa
que levanta a areia
onde escondes os pés.
o sol encosta com jeitinho ao mar,
fechas os olhos e sorris.
ouves sem ouvir
a discussão animal,
luta diária
dum punhado de penas.

Na hora das gaivotas
sinto-te,
respiras.
a minha mão
sente a tua pele arrepiada.
quase que me torno teu sem o ser.
mas não olhas para mim aqui ao lado,
os olhos estão fechados,
faço parte da praia.
mas quero-te,
quando te sinto, quero-te...

Na hora das gaivotas
o sol afoga-se no mar.
tento que fiques
e lanço no céu a lua
para que abras os olhos.
quero-te aqui
só comigo.
deitas-te na areia
soltam-se os cabelos com um sopro
e agarro-te.
já vou tarde. foges...

Na hora das gaivotas
tenho medo de sentir.
desespero o nascer da estrela
antecipo a nausea da paixão
mais um dia...solidão

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Até que me chegue o sono

Até que me chegue o sono
dou três voltas
e penso...
Se ficasse aqui quieto, talvez...

Até que me chegue o sono
não há carneiros que aguentem
e conto...
se tivesse mais afecto, talvez...

Até que me chegue o sono
respiro fundo algumas vezes
respiro...
se fosse um truque secreto, talvez...

Até que me chegue o sono
coço aqui e ali
e toco...
não preciso de outro tecto, assim...

encosto o meu corpo ao teu
nada de novo até aqui.
embalas-me com o teu oscilar
acompanho-te o embalar,
quase que sinto falta de ar,
mas é só o sono a chegar...

sou teu até ao fim...

"Coiso-te"

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Verde Escuro

Verde

Chuva de manhã.
Nuvem negra espreita.
Um rio desesperado por pessoas,
um fim de Verão triste e
uma floresta densa de verde, escuro.
E tu...
...ao meu lado
neste pequeno Paraiso.

Coiso-te

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Flashes

Amedronta-me a Saudade.
Flashes de memória,
Saudade de uma estória...

Receio perder a memória.
À morte da Saudade,
memória que se arde...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Dança, Dança, Dança

Assombra-me a cada página.
Inesperado sorriso, inesperada morte.
Amor, Amizade.
Solidão.
Sinto frio, calor,
sinto-me deixar levar pela sorte,
Escuridão.

Domo arigato Murakami

domingo, 4 de maio de 2008

Natureza morta

A folha cai suavemente, balança.
Ninguém o sente, o balanço
Cai e o estrondo faz estremecer a estrada.
Retenho o momento
Click, click, click.
Críspida, castanha, coitada
Já foi, agora é nada.