quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
sol
quando o negro fica claro ao sentir o teu calor
imagino os teu golpes no escuro do universo
e atiro-me para o teu fogo só para saber que existes
para me aperceber de mim, para ver o meu inverso.
abro os olhos e desculpa-me o desviar da cara
mas és um amor que não consigo olhar directamente
sinto-te na pele que escorre o suor do teu amar
não quero mais a noite fria ou o inverno chuvoso
só quero o calor de cortar o respirar
até o queimar da pele eu quero
sentir que mudei de cor com o teu toque
ver as marcas de uma segunda pele
nu quero sentir o sabor das chamas
nu quero correr na praia e ficar cor de mel
nu quero correr para te agradar....
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Adormecer
viro-me e encontro o teu corpo...
e adoro.
Agarro o teu cheiro e deixo que seja meu,
volto a adormecer embebido nesse odor que é teu.
Sinto o teu acordar mas finjo que durmo
quero apanhar-te a olhar-me
e beber do teu sumo...
aperto-te, espremo-te até sair tudo
sentimos o amor no escuro.
Voltamos a adormecer
e fazemos o silêncio mudo...
Sinto assim a manhã
que a estrela aquece
quero ficar aqui deitado
até ver quando desaparece.
Acaricio todo o teu corpo
até ao fim desse momento
e vejo o satélite de dentro até sentir o alento
do amor...e adormeço.
Sinto o sonho a chegar
entro no teu sem pedir
ris-te do meu olhar e eu ponho-me a sorrir.
Toco-te de leve, sigo as rugas do sorriso
mas desapareço do sonho ou voltei a dormir?
Com os olhos fechados não vejo mas sinto-te a mexer...
e consciente do sonho, acordado e risonho
olho-te, beijo-te e suspiro...e volto a adormecer.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
...
sem esquecer que o senti
levo comigo a saudade pela solidão
e não quero voltar a tê-la
guardo-a num canto bem lá atrás
para que se perca no esquecimento
fecho a porta e escondo a chave
levo a vontade de um novo sentimento...
Amor pelo amor
quero só mais um
quero tê-lo sem receio de o viver
vivê-lo num intenso sabor
saborea-lo até perder o paladar
vivê-lo, lutar por ele sem dar tréguas
mudar o mundo para vê-lo
a caminhar comigo léguas...
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Sonho de dia para descansar de noite
Durante o dia sonho de coração aberto,
vejo-te ao longe mas quero-te perto.
De dia sonho o entrelaçar de dois corpos
nus a desfrutar a melodia do suor,
passo a mão pelo teu corpo, já o conheço de cor
bebo a noite toda de um trago,
durante a noite descanso acordado e penso em ti
e descanso este corpo amargurado, só podia ser assim.
Amargura-me a distância deste amor
quero vê-lo com a ânsia
de seres minha, só para mim
afinal passo os dias acordado
e não é sonho é verdade
já não durmo há um bocado
mas sou feliz a viver assim.
Amo-te de um só trago
como à noite, também o fiz
sem ter medo de ser apanhado
pela dor de ser feliz...
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Caminhos
medo do desaparecimento
esquecer o que vivi...
Mudei para te ter perto
encontrei o enorme fragmento
o pedaço que perdi
Senti qual era o caminho
cheguei ao entroncamento
a saber que estavas ali...
Virei para o lado certo
com este enorme sentimento
virei-me para ti...
Esperei que te voltasses
na barriga o tormento
vejo-te mas não aqui
Chegaste perto
soltaste um lamento
"desculpa não te vi..."
Seguiste em frente
por dentro senti o desmoronamento
mas percebi...
triste disse-te adeus
Disse olá ao sofrimento
e aprendi...
Queres amar
queres sentir este momento
mas já não me queres sentir a mim...
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
A fonte, o embondeiro e o miúdo
que me dava vida
voltei-me para dentro
certo de que havia maneira
de levar meses sem sede.
No caminho que escolhi
fui parar ao mesmo sítio
mas a fonte que deixei
amargou, ficou ácida
de tristeza do abandono
daquele que a tornava plácida.
Larguei um novo embondeiro
que me enraizava na terra
forte, robusto, imponente
esfaquei-o mesmo no ventre
sem olhar o que me espera.
Desci o monte onde habitava
novo embondeiro a morrer
esqueci-me que tão forte planta
não morre tão fácilmente
mas o golpe era tão grande
estava enorme, ainda vertia
e o embondeiro dos meus sonhos
ensanguentado, e seco...desaparecia.
Miúdo sou por fugir da natureza
cresci no caos calmo da solidão
na tempestade, na confusão
e quando me deparei com a beleza
de uma fonte e um embondeiro
fugi de um medo que desconhecia
fugi de um amor verdadeiro...
Perdão
é porque estás acabado
pedes por saber
que atiraste um dardo envenenado.
Mataste algum sentimento
enganaste-te pensando que saias
sem consequência
impune, livre, sem amarras
fizeste-o sem consciência
Quando queres ser perdoado
tentas tudo até ao fim
mas quando esse fim chega
desesperas por um sim...
mas sabes tão bem como os outros
que nestas coisas do amor
funciona outra cabeça
que por sofrer ou ter dor
desiste de ti...aconteça o que aconteça...
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
...
para aprender?
quantas vezes desespero
para aprender a amar.
Por vezes parece que acerto
vejo tudo claro.
Por vezes o coração não pensa
vejo tudo claro e desperto.
Claro que parece simples a equação
para quem nunca pensou o amor
Claro já aprendi a lição
para quem sempre usou a razão.
Troco a ordem das rimas e dos versos
porque cansei de pensar
escrevo como um louco estes traços
para te dedicar o meu amar
deixo-me levar pela mão
neste caderno vazio de tinta
encho-o como o meu coração
deixo que te sinta
Perdi o teu olhar para mim
calei a tua voz no meu ouvido
errei e perdi a flôr
a única que fazia sentido
o perto ficou mais longe
e deixei de fazer rima
largo a caneta e paro de escrever
porque já não te tenho, já não és minha.
Acabou-se a minha vida...
E assim acabo triste e abandonado,
assim como tu estiveste no passado
quando deixei de estar do teu lado
Aceito este triste destino
Aceito este triste momento
Aceito este triste fado.
O político
de um tagarela,
um aldrabão.
Chego cheio de palavras
digo pouco
ou quase nada
uso o dom do discurso
abuso do tom
e do som
Até interjeições sou capaz
de usá-las
sem respeito
corrompo o tema
com esquema
de quem aceita a mentira
Sou um sofista grego,
um manipulador,
um estripador da verdade
Não tenho medo de tema,
tempo de discurso
ou dilema
Eu uso tudo o que tenho
para, com engenho,
enganar o povo tacanho.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
...
Que necessidade é esta de dizer ao mundo que amo alguém
Tempestiva vontade de gritar “amo-te”
Mesmo que não tenha agora quem me abrace ou adore
Ou o meu coração só viva para que eu respire
Que brutalidade de sentimento virtual
Vulcânica urgência de cuspir palavras
Mesmo que não sinta ou pense
O amor ou a saudade…
Que liberdade tenho se me sinto preso
Que peso é este se me sinto leve
Que amor é este se sinto que nunca amei…
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Baú
abro portas que me protegem
sinto o frio, o medo, os vultos
oiço o ranger, o tremer, os vivos
mas avanço no escuro sem hesitar
e a meio volta-me o medo milenar...
de amar.
Chego ao baú que quero abrir
o baú que me faz sofrer
baú dos sentidos, dos corações sofridos
dos momentos vividos, não escondidos
antigas sensações de ardor...
momentos de amor.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Acabem com o amor
Assobiam os montes
E as searas também
Para deixarem de ouvir
Os lamentos de quem sofre por amor, e bem…
Rugem os mares e os rios
As pedras, os troncos
Para que se calem
Aqueles que amam demais e são loucos
Gritam as flores “por favor”
As nuvens e os animais
Que façam silêncio
Os amantes sentimentais
A Mãe quer que haja um fim
Desse sentimento que enlouquece
Obcecado, egoísta, alienado,
Destrutivo, guerreiro corrosivo,
Amaldiçoado sentimento que sufoca, que provoca,
Quem sofre por ele, quem ama demais ou outros que tais…
Que seja o seu fim
Que fiquem inertes de coração
Que acabe a arte da sedução
Que se feche a porta da emoção
Que a porta que se abra seja só razão…
Que se acabe com a magia do amor
Que já não haja mais aquele calor
Que o coração já não sinta dor
Que seja só pensar a flôr.
Que se pense, e aí sim…
domingo, 31 de outubro de 2010
flôr
num movimento doce
num sereno levantar das pétalas
tenho saudades de te sentir
vejo-te nesse movimento em cada folha
num caude inocente
na flôr no meio do nada
vejo-te nesse movimento em cada néctar que voa com a abelha
quando te moves delicadamente
sinto vontade de te agarrar
sinto vontade de te libertar
quando te moves a tua silhueta não mente
és unica, é certo...
és a planta que cresce sozinha no deserto
que dá vida ao mundo sem afecto
3 poemas sobre a cidade...
Sabes que não devia
Ter dito sem pudor
O que sentia
Nem pôr cor
Ao pedido
De ficares aqui comigo
Desculpa-me o feitio
Neste teu passeio escorregadio
Que é o amor…
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Falta alguma coisa em ti
Sim, eu sei
Longas são as noites…
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Logo ali deitado
Num verde banco de jardim
Totalmente encolhido
Totalmente envolvido
Fetalmente protegido
Em momento algum estive só
Estou contigo, cidade
Envolve-me, abraça-me, acaricia-me a pele
Deita-se e levanta-se ao meu lado
Já não sonho
Essa fantasia não me faz falta
Vivo outra realidade que me basta
Vivo a verdade
Vivo a cidade
Em momento algum estive só
Estou com a cidade
Sinto-a, cheiro-a, oiço-a
Vivo-a e choro…
Os outros
Numa espiral de corpos
Nervosos, suados tremem
Colidem enraivecidos
Rodam para o negro
Com medo
De um escuro infinito
Nem um grito
Os faz parar
Já é tarde para os separar
Respiram o pó
Cegam com as palavras
Negam os sons desconhecidos
Inventam medos e caminhos
Negam passados escritos
Só para serem conhecidos
Não abrem os olhos
Nunca ouvem
Pouco dizem…